A primeira leitura ao microfone
Uma dobragem é a regravação de material audiovisual existente em neerlandês belga com som natural, onde o timing da voz se alinha exatamente com os movimentos labiais da personagem original.
Quando começamos uma cena no estúdio, ouvimos primeiro a respiração do ator original. Onde é que alguém respira? Onde é que há uma pausa? Só depois olhamos para a construção da frase. Recentemente, notei durante uma gravação que um ator recebeu uma tradução neerlandesa que estava gramaticalmente correta, mas era demasiado rígida e longa para o nosso mercado flamengo. Em vez de "pedimos-lhe gentilmente que se sente", transformámos a frase no local para "por favor, sente-se à vontade". Essa adaptação deu à atriz de voz o espaço exato para alinhar a sua sílaba final com o fechar da boca no ecrã.
Porque o timing é mais do que apenas reproduzir a fala
Muitas pessoas pensam que dobrar é simplesmente repetir um texto traduzido enquanto o vídeo está a reproduzir. A realidade por trás do vidro acústico exige uma concentração muito diferente.
- Timecodes e Indicações: Trabalhamos com marcações visuais no ecrã, para que o ator de voz veja exatamente quando a primeira vogal deve soar.
- Labiais e Posições da Boca: Letras como o 'p', 'b' e 'm' exigem que os lábios se toquem; elas devem coincidir visualmente com a imagem, caso contrário, o espetador desliga-se inconscientemente.
- Ritmo de Fala e Emoção: Uma personagem que ofega de cansaço exige um ator de voz que se move fisicamente atrás do microfone, sem bater no pop-filter.
Como realizador, presto muita atenção para que a dinâmica seja mantida. Uma voz flamenga como a de Larissa, que, com um calor natural, reage à situação, pode dar vida a uma cena porque não só entrega o texto, mas também respeita as pausas respiratórias do original.